Confusa, após uma briga com meus pais, saí correndo em uma noite extremamente fria, e as minhas lágrimas cortando minha face, achava que era eu, a dor da angústia e as longas e vazias ruas de Paris iluminada apenas pela luz fraca do luar.
Mas estava enganada, em meio às lágrimas vi o vulto de um homem que se aproximava e pouco a pouco, podia ver com o pequeno vestígio de luz o teu rosto perfeito.
Em poucos segundos aquele homem, cuja beleza era inigualável, me tomou em teus braços deixando apenas alguns centímetros entre seu rosto e o meu. Antes que eu pudesse reagir senti seus lábios acolhedores, quentes e macios em meu pescoço, e então tudo se tornou silêncio.
Correndo pelo subúrbio com aquela pobre mortal em meus braços, que em poucas horas se transformaria em um monstro como eu, e ainda assim podia ouvir seu coração ainda lutando para não se entregar ao destino cruel que eu lhe dei. Esta foi definitivamente, a pior decisão que fiz em toda minha existência, mas a essa altura as conseqüências seriam irreversíveis…
Ao chegar à minha casa, eu a coloquei cuidadosamente no confortável e velho sofá vermelho e então procurei a minha poltrona preferida para me acolher. A partir desse momento, deu início a uma agonizante e interminável espera, pois deseja saber se ela seria mesmo da minha espécie.
Em um suspiro desesperado ela abriu os olhos, jogando seu corpo para frente e alguns segundos estava lá, bela como nunca e seus olhos sedentos de sangue.
E sem dizer nem uma palavra novamente, a tomei em meus braços e a levei para sua primeira caçada. Satisfeita e com a pele quente, do sangue de sua vítima correndo por suas veias. Agora poderia explicar sua nova vida e para minha surpresa quando terminei de falar ela pareceu aceitar sem muito questionar…
Anos se passam e cada vez mais Charllote, agora seu nome, vai se acostumando a viver desse jeito, então eu e ela nos perdemos no tempo.

Tamiris Sagrillo e Stephanie Zuccolotto